Marc Jacobs colocou a cor no centro da conversa, mas não de um jeito solar, leve ou simplesmente divertido. A Primavera 2027 veio com transparências plastificadas, meias-calças coloridas, cintos com correntes, bodies, jaquetas ornamentais e uma feminilidade quase retrô, só que deslocada para um território mais artificial, brilhante e provocativo. Uma coleção que parece simples à primeira vista, mas entrega muitos sinais de produto, styling e desejo para observar de perto.

2 jul, 2026


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APrimavera 2027 de Marc Jacobs parte de uma imagem fácil de visualizar: Edie Sedgwick atravessada pela energia pop, clubber e desinibida de Charli XCX. De um lado, a silhueta anos 60, as pernas em evidência, o olho marcado, o cabelo polido e a feminilidade de personagem. Do outro, a cor ácida, o plástico, a transparência, o corpo exposto e uma atitude mais noturna, jovem e provocativa.
O mood não é apenas colorido. É uma feminilidade retrô editada para uma geração que consome imagem, noite, nostalgia e excesso ao mesmo tempo. A coleção tem algo de musa de Factory, algo de garota saindo de uma festa, algo de boneca fashion e algo de arquivo pessoal revisitado com ironia. Marc Jacobs pega códigos reconhecíveis — a saia midi, o vestido tubo, a camisa, o poá, o cinto marcado — e desloca tudo para um território mais artificial, brilhante e estranho.
A sensação final é de uma coleção construída como personagem: polida, provocativa, levemente desconfortável e muito fotogênica. Uma moda que não quer parecer natural, orgânica ou discreta. Quer parecer montada, editada, saturada e pronta para virar imagem.
Leitura ABOUT: o desfile fala sobre um desejo importante do agora: depois de tantas temporadas de neutralidade, minimalismo e roupas “corretas”, existe espaço para uma moda mais visual, mais provocativa e mais divertida — mas ainda com inteligência de styling.
Os códigos de Marc Jacobs aparecem justamente nessa capacidade de transformar o familiar em algo fora do lugar. A coleção revisita peças clássicas do guarda-roupa feminino — camisa, saia midi, vestido tubo, jaqueta curta, calça reta, body e poá — mas troca a delicadeza esperada por PVC, transparência, brilho, cor saturada e styling carregado de intenção.
Existe também a garota-personagem, tão presente no universo do designer: uma figura entre musa retrô, clubber contemporânea, socialite deslocada e boneca fashion. O exagero vem nos cintos, correntes, colares, paetês, fivelas e aplicações, mas a silhueta continua relativamente limpa, criando esse contraste muito Marc Jacobs entre controle e estranheza.
CORES

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TECIDOS

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TEXTURAS & ESTAMPAS

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Leitura ABOUT: para tradução comercial, os materiais mais possíveis são organza, tule, voil, nylon leve, tecidos acetinados, paetês, malhas segunda pele, couro fake com brilho, tecidos resinados e acabamentos glossy. O caminho não é copiar o PVC literal, mas absorver a ideia de superfície com impacto.
A coleção trabalha com uma silhueta muito clara: corpo alongado, pernas em evidência, cintura marcada e parte superior ora justa, ora estruturada.
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