Rendas, crochês, tramas vazadas e têxteis domésticos saem do enxoval, ganham o street style de Copenhagen e abrem uma oportunidade real de produto para o Verão 26/27.

7 ago, 2026

Otecido favorito dos próximos verões talvez já estivesse na casa da sua avó. No street style da Copenhagen Fashion Week SS27, rendas florais, crochês, superfícies vazadas, transparências e peças com aparência vintage ganharam força em blusas, vestidos, saias e sobreposições. A Vogue destacou renda, transparência e elementos de crochê entre os sinais mais visíveis da semana, enquanto a Marie Claire identificou as blusas brancas rendadas e vazadas como uma das grandes mudanças do street style desta edição.


Para a ABOUT, essa confirmação tem um significado especial. Em agosto de 2025, já havíamos mapeado o retorno das toalhinhas rendadas, das tramas artesanais e dos tecidos com memória doméstica como uma direção com força para atravessar mais de uma temporada. Agora, aquilo que ainda parecia uma aposta autoral começa a ocupar as ruas mais fotografadas da moda. Mas não como nostalgia literal: o passado entra em contato com tênis, denim, couro, óculos grandes, bolsas urbanas e styling inesperado. É esse contraste que transforma memória em desejo contemporâneo.
Quando a ABOUT observou esse movimento no ano passado, a força estava concentrada principalmente em marcas autorais, peças únicas e pequenos ateliês que já compreendiam o potencial dos têxteis domésticos. Toalhas de mesa, centros rendados, guardanapos bordados, crochês, rendas filé e fragmentos de enxoval apareciam como matéria-prima de reconstrução. Ainda não era uma estética amplamente comercial; era um sinal restrito a criadores que enxergavam valor onde o mercado enxergava apenas algo antigo.
A CPHFW muda essa leitura porque o street style mostra a direção em uso. Não é mais apenas uma referência de pesquisa ou uma imagem de passarela. Pessoas com estilos diferentes estão incorporando renda, crochê e superfícies vazadas ao guarda-roupa real, misturando esses materiais a peças que muitas clientes já possuem. Essa passagem do nicho para a rua é um sinal de confirmação: não significa que todas as marcas devam aderir, mas mostra que o público já começa a reconhecer essa linguagem como atual.
O QUE APARECEU NAS RUAS

Imagem 1 de 9
“ O sinal não está apenas na volta da renda. Está na mudança de valor: o que antes parecia doméstico começa a parecer raro. ”
Em agosto do ano passado, quando fui a Copenhagen e assisti à apresentação da Kettel Atelier, vi uma coleção inteira construída a partir de toalhinhas de centro em crochê, renda filé, bordados antigos e materiais cuidadosamente garimpados. Naquele momento, ficou claro que aquela linguagem tinha força para ultrapassar a marca. As toalhas desenhavam o corpo de uma maneira que um tecido liso dificilmente conseguiria reproduzir: cada borda criava um recorte, cada flor encontrava um lugar e cada vazado revelava uma parte diferente da pele.
Para a Kettel, porém, aquilo nunca foi apenas uma tendência sazonal. A marca de Laura Tønder foi construída a partir da transformação de têxteis domésticos vintage e tecidos de estoque antigo em peças únicas. Em vez de esconder manchas, rasgos, diferenças de ponto ou sinais do tempo, a marca os incorpora ao produto. Hoje, mesmo nas peças desenvolvidas em novos crochês, a linguagem continua ligada a padrões vintage, flores, patchworks rendados e construções que se adaptam ao corpo por amarrações.
O QUE A KETTEL ENTENDEU ANTES

Imagem 1 de 9
“ A Kettel não transforma toalhas em roupas escondendo o que elas foram. Transforma justamente porque deixa essa memória aparecer. ”
Em Santa Catarina, Luisa Lobato já trabalha esse mesmo impulso a partir de um repertório local. Toalhas garimpadas, rendas, têxteis com memória e técnicas que atravessaram gerações entram na essência da marca não como decoração nostálgica, mas como matéria de construção. Isso é especialmente potente porque o Brasil não precisa importar integralmente essa estética: possuímos toalhas bordadas, crochês, rendas filé, labirinto, renda de bilro e saberes manuais espalhados por diferentes regiões.
A coleção Entrelaços, por exemplo, parte da ancestralidade e revisita a cultura das rendas de Santa Catarina. A própria marca descreve a renda como linguagem, construção e encontro entre tempos. No Vestido Luisa, aplicações de rendas de bilro em diferentes pontos são entrelaçadas manualmente por mulheres da Ilha de Santa Catarina sobre uma base desenvolvida a partir de retalhos da indústria têxtil. A peça reúne memória familiar, técnica local, reaproveitamento e alfaiataria — sem reduzir o produto à ideia de artesanato regional.
Conteúdo exclusivo para membros
Stories Fechados + Insights + Guides + AIMER
Use em todos os seus dispositivos • Até 3 usuários por conta
R$ 99,00/mês • Compra segura • Cancele quando quiser
01
Stories Fechados
Acompanhe as confirmações do Inverno 27 direto das principais capitais da moda.

about.fhub
Stories fechados
02
Insights
Entenda diariamente quais sinais realmente ganham força.

03
Guides
Planeje produto, conteúdo e venda com antecedência.

04
AIMER
Nossa IA que transforma cada direção em ação para seu negócio.
