On, H&M, Dior, Chanel e outras gigantes globais estão abrindo ou expandindo lojas no país, e esse movimento mostra que, mesmo em meio à crise, o Brasil continua sendo visto como um dos mercados mais estratégicos para crescimento, desejo e presença física na América Latina.

15 ago, 2026

AEuropa não está olhando para o Brasil por acaso. Em um momento em que mercados maduros ficam mais difíceis, caros e competitivos, marcas globais começam a buscar crescimento em territórios onde ainda existe espaço para conquistar desejo. A própria H&M já vinha direcionando sua expansão para mercados emergentes como Brasil e Índia, enquanto o consumo nos Estados Unidos e na Europa desacelerava. No luxo, o cenário global também vem de um período de pressão: a Bain apontou uma leve erosão no mercado de bens pessoais de luxo em 2025, antes de uma recuperação moderada esperada para 2026.


O Brasil interessa porque não é um mercado simples — e exatamente por isso se torna estratégico. Existe crise, existe pressão de renda, existe consumo dividido entre preço e desejo. Mas também existe escala, cultura de shopping premium, consumidor aspiracional, alta renda concentrada, digital forte e uma base que responde muito bem a marcas que sabem transformar produto em experiência. A H&M, por exemplo, justificou sua chegada ao Nordeste pela produtividade dos shoppings e por dados de uma base online forte na região.
“ O Brasil não é um mercado fácil. É justamente por isso que ele interessa: quem conquista desejo aqui, conquista relevância em um dos consumidores mais complexos do mundo. ”
Esse movimento mostra que as marcas globais não estão olhando para o Brasil inteiro da mesma forma. Elas estão mirando ilhas de consumo, especialmente São Paulo e shoppings de alta renda, onde a loja física deixa de ser apenas ponto de venda e passa a funcionar como vitrine de autoridade, serviço, experiência e posicionamento. A Dior inaugurou no Shopping Cidade Jardim sua maior boutique da América Latina, com cerca de 1.000 m², enquanto a Chanel prepara uma flagship de cerca de 1.200 m² no mesmo shopping, prevista para 2027.

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Para marcas brasileiras, multimarcas e profissionais de moda, o alerta é enorme. Enquanto muita gente ainda repete que “o mercado está difícil”, as marcas globais estão usando o Brasil como território de expansão, desejo e presença. Isso não significa ignorar a crise. Significa entender que crise não elimina desejo. Ela muda a forma como o desejo precisa ser construído. Quem não aprender a criar experiência, narrativa, produto desejável, atendimento, conteúdo e posicionamento vai acabar disputando apenas preço e disputar preço contra gigantes globais é um dos lugares mais perigosos para um negócio de moda estar.
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