Com importações de roupas em alta, disputa pela “taxa das blusinhas” e varejo de alta renda mais resiliente, a polarização do consumo fica cada vez mais clara: ou a marca compete por preço, ou constrói experiência, desejo e valor percebido.

17 ago, 2026

Amoda brasileira está diante de um sinal muito importante: o consumo continua existindo, mas está cada vez mais polarizado. De um lado, cresce a força do produto importado, do preço baixo, da compra por impulso e das plataformas internacionais. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou US$ 1,76 bilhão em vestuário, uma alta de 30,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Só em julho, as importações de roupas avançaram 12,7% frente a junho, enquanto o déficit comercial da cadeia têxtil saltou de US$ 116,8 milhões para US$ 267,3 milhões em apenas um mês.


Esse dado não fala apenas sobre Shein, Temu ou pequenas compras internacionais. Ele mostra que a importação formal de vestuário está crescendo em toda a cadeia, justamente em um momento em que a produção nacional perde força. Isso pressiona fabricantes brasileiros, confecções terceirizadas, fornecedores de tecido e aviamentos, polos produtivos regionais e pequenas marcas que não possuem escala internacional de compra. O risco estrutural é enorme: o Brasil pode continuar consumindo moda, mas produzir uma parcela cada vez menor daquilo que vende.
A disputa em torno da chamada “taxa das blusinhas” amplia ainda mais essa tensão. Desde 12 de maio de 2026, o Imposto de Importação federal está zerado para encomendas de até US$ 50 dentro das regras do Programa Remessa Conforme. Para compras acima desse valor e até US$ 3 mil, a alíquota indicada pela Receita Federal é de 60%, com parcela de US$ 30 a deduzir. A manutenção da alíquota zero favorece plataformas internacionais, produtos de baixo preço, variedade importada e consumidores sensíveis a preço. A volta da cobrança, por outro lado, tende a favorecer grandes varejistas nacionais, indústria local, marcas com produção no país e operações que já recolhem tributos internamente.
“ Quando o mercado se divide entre preço e experiência, o meio deixa de ser confortável e passa a ser perigoso. ”
Na outra ponta, o varejo de alta renda mostra mais resistência. Os shoppings da JHSF alcançaram R$ 1,259 bilhão em vendas no segundo trimestre, crescimento de 6% em relação a 2025. As vendas nas mesmas lojas avançaram 5,7%, a taxa de ocupação ficou em 98,2% e o Shopping Cidade Jardim manteve 100% de ocupação. Além disso, a empresa inaugurou o CJ Boa Vista Village, com cerca de 15 mil metros quadrados e aproximadamente 100 operações, reunindo moda, gastronomia, cultura, serviços e lazer com marcas como Louis Vuitton, Celine, Brunello Cucinelli, Chloé, Pucci, Dolce & Gabbana e Rolex.
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