Com “Sicilian Holidays”, a dupla italiana troca o silêncio do luxo discreto por memória, excesso e identidade mediterrânea como estratégia de desejo.

27 jun, 2026

ASicília nunca foi apenas uma inspiração para Stefano Gabbana e Domenico Dolce; sempre foi a língua materna da marca. Em “Sicilian Holidays”, coleção masculina de verão 2027, a Dolce & Gabbana volta a esse território com a confiança de quem sabe exatamente quais imagens construiu. Em vez de suavizar sua estética para caber em um luxo mais silencioso, a dupla reafirma o que tornou a casa reconhecível: tradição mediterrânea, sensualidade, religiosidade, festa, memória familiar e ornamentação sem pedido de desculpas. A mensagem é clara: identidade ainda é capital competitivo.

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Na passarela, a base veio da alfaiataria assertiva de ombros largos, assinatura recorrente da casa, mas o clima era de férias sicilianas levadas ao máximo. Macramê, rendas, aplicações de cristais, estampas de cartão-postal e tons de pistache apareceram ao lado do preto austero associado ao luto católico, do branco solar das praias e das referências à maiolica. Ternos de linho branco surgiram bordados com contas que desenhavam corais mediterrâneos, enquanto o denim desgastado ganhou cristais coloridos em diálogo com o excesso dourado das igrejas barrocas. Camisas de seda trouxeram galhos de limão, peças de crochê evocaram cordas de marinheiros e a decoração voltou a ocupar o centro do discurso.
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